architecture / residential

Mies and Nietzsche

Este post parte da leitura do capitulo ” A casa de Zaratustra”, do Livro a Boa Vida de Iñaki Abalos, onde Inaki Abalos reflecte sobre as casas patio de Mies Van der Rohe. Os textos são transcrições do autor.

” Somente através do conhecimento filosófico revelam-se a ordem correta das nossas tarefas e o valor e a dignidade da nossa existência”   Mies Van der Rohe

1miespatios

Planta Mies Van de Rohe

Captura de pantalla 2013-12-08 a las 22.00.56

Imagem Filme : Casa con tres patios de Mies Van der Rohe, Diego Otavo

As casas patio de Mies, projetadas sem que houvesse um cliente, não partem de um programa elaborado para a familia. Quando Mies , numa atitude insólita, escolhe trabalhar o mais abstractamente possivel com a casa, ele renuncia também a pensá-la para a familia. Ele sabe que se o que deseja compreender é a natureza da vida moderna, aquilo que lhe é próprio, deve-se renunciar á memoria que a casa guarda de si mesma.

Captura de pantalla 2013-12-08 a las 22.33.56

Perspectiva Mies Van de Rohe

Como viveria o homem moderno se atendesse unicamente á sua individualidade?

As  casas patio de Mies Van der Rohe pretetendem sublinhar, antes de tudo a individualidade.

Captura de pantalla 2013-12-08 a las 22.05.23

Imagem Filme : Casa con tres patios de Mies Van der Rohe, Diego Otavo

” Se contemplarmos o conjunto, com os seus muros altos e os seus extensos espaços, quase decadentes na sua gradiosidade, imaginamos a forma de habitá-lo, aos poucos reconhecemos que ele se destina a um único habitante. E o reconhecemos, entre outras razões porque os muros não estão ai para delimitar o lote nem para sustentar as empenas da casa, nem tampouco, ou muito menos, para propiciar esse mecanismo de controle ambiental-iluminação, temperatura, humidade, ventilação – que é originariamente o pátio. Os muros estão aí para propiciar privacidade, para ocultar quem habita, para permitir que dentro da casa, transcorra uma vida profundamente livre, à margem de toda a moral e tradição, à margem de toda vigilância social ou politica.  Os muros estão aí porque  o habitante das suas casas partio deseja isolar-se, e exercer a sua individualidade á revelia de qualquer comentario moral… Quer afirmar-se e a asseverar a casa como império do eu. Não é dificil distinguir, nesta decisão radical, um eco do ” super-homem” nietzschiano, essa figura que deve reconstruir a sua posição no mundo, esquecendo toda a sujeição a ele imposta, a tradição judaico cristã e o pensamento metafisico inaugurado por Platão. Um sujeito como o que o Mies parece imaginar precisa de uma condição inicial de isolamento, da possibilidade de autoconstrução à margem dos outros..”

 

Observemos agora a casa projectada por Mies Van der Rohe….  Diante de nós abre-se um grande pátio ajardinado que é tanto uma extensão da casa, quanto uma representação da natureza. Isolado por muros muito altos, o que nele existe já não é a natureza em estado puro, mas uma representação artificial do mundo. … O que vê este habitante? Porque elegeu esta forma de se relacionar com a natureza e através dela, com o mundo?

Captura de pantalla 2013-12-08 a las 22.03.06

 

 

Imagem Filme : Casa con tres patios de Mies Van der Rohe, Diego Otavo

Casa_3_P_tios_Final_3- 11Gabriel Johansson

Imagem de Gabriel Johansson

Inicialmente trata-se de uma relação contemplativa..Se pudéssemos permanecer eternamente sentados, contemplando essa paisagem de uma das poltronas de Barcelona dispostas no interior da casa e acelerássemos  esta imagem como os fotogramas de um filme, assistiríamos a um espectáculo revelador: o da eterna sucessão do mesmo, do carácter circular do tempo natural frente á linearidade do tempo histórico. Ao ciclo do dia sucede o da noite, à pradaria coberta pela neve sucede a chuva e a florescencia das arvores, depois a queda das folhas, e assim, sucessivamente, num espectáculo iterativo, preparado por esta cenografia em que o  céu e o jardim – a natureza- aparecem como uma metáfora do tempo ciclico, e a grande fachada envidraçada, como um excepcional diorema para a sua contemplação.

Escreveu Nietzsche, em a Gaia Ciência:

” Chegará um dia – quiçá muito em breve- em que se reconhecerá o que falta nas nossas grandes cidades : lugares silenciosos, vastos e espaçosos, para a meditação.”

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s